da vingança

é possível viver com um plano de vingança. mas há regras: não matar; não difamar; não fazer escândalos.
vingar-se , segundo as religiões, é atitude de almas pouco “iluminadas” e todo mundo tem uma religião, ou uma opinião formada sobre isso. se você está pronto para lidar com isso vá em frente.
vingar-se é praticamente uma heresia, quase tão ruim como fumar maconha, ou ser preconceituoso. por isso nunca conte seus planos de vingança pra ninguém. e vingue-se quando tiver realmente certeza de que foi lesado.
quem se vinga tem que ficar esperto para não inverter os papeis, pois as pessoas tidas como “iluminada” podem e vão inverter e considerar você pior do que quem te fez o mal.
tenho uma ótima receita de vingança para pessoas cuja relação é inevitável, pois muitas vezes essas pessoas são da própria família.
ignore completamente a existência dessa pessoa, não converse, não responda e-mails, nem mensagens de what app. bloqueie de todas suas mídias sociais. se for muito próxima, faça questão de deixa-la invisível pra você, tipo um espirito que se sente presente mas você não vê.
se você for do signo de escorpião isso será ainda mais fácil e natural, nem parecerá vingança, e o melhor você não se sentirá mal com isso .
e o mais importante: NÃO MINTA PRA SI.

…dois anos depois

acho que entendi esse silêncio, essa observação incessante. lidar com tanta informação não é virtude pra mim. precisei calar e isso sim inquieta-me. dou de ombros. aprecio a mudança, inclusive essa que vivo. parece previsível e é. descobri que adoro ter pra onde voltar e com quem conversar e não ter com quem competir. me cansa discutir debater. ninguém sabe tudo. é vida é o que quisermos, não há formulas, não há teorias.

o silêncio é de fato a melhor resposta!

impermanência

Há como competir contra a falta de amor, mas não a falta de amor próprio de outrem

Para remediá-lo ou mesmo produzí-lo, é preciso tomar um veneno pouco conhecido: O EU

Que é bem dolorido quando tomado em longas doses

A falta desse amor dá luz à dependência, e eu que estou de fora,  não consegui combatê-la.

Pesa! E como pesa!

É preciso muito tempo – ou nem tanto – para que a luz da consciência se mostre

Até lá muitas lágrimas vão cair, mas não minhas, e não por minhas vontades

Elas lavarão os olhos da mentira é que o amar o outro antes de si

E aí quando tudo parecer tão tedioso, um remédio surgirá contra o tédio.

E que me perdoe João Cabral, mas sim, há remédio contra o tédio!

É…

voar! quem disse que isso é ser livre? quem voa na névoa da dor?
quem voa com lágrima nos olhos?
quem voa com gritos no coração?
quem voa com vontade de fincar os pés no chão?
voar nessa hora é ficar aqui, enterrado em terra firme onde tudo está ao alcance das mãos
mas poucos podem compreender , estão todos muito cheio de uma liberdade alta
tão alta e sem alcance que mal podem segurar
essa liberdade sim escapa pelas mãos como água viva.
a liberdade livre é uma coisa que dói, dói muito pra não doer nunca mais
liberdade é essa solidão de pedra
onde as horas são a pauta da vida
e saber viver com isso é viver a liberdade mais ampla e pura
a liberdade intrínseca de ser o que é.
saber ser o que é !

Certeza

Todos negam a necessidade de sobreviver em sociedade
Tentam criar novas tradições
mal conseguem enxergar
pelo excesso de “Eu”.
O passarinho, que parece tão livre
tem um caminho determinado
A natureza, ao contrario do que se pensa
não é livre a ponto de decidir suas próprias estradas
Ela na verdade se adapta para acolher e se unir
Obriga e também cede
de ceder
para que tudo se acomode.
O “eu”, é tão ‘eu’ que não consegue ver que precisa ser natureza
O “eu” é natureza morta
natureza limitada pelo excesso de ego e sabedoria burra
A liberdade é pois, natureza consciente da tarefa.

cupido

a esse olhar tão carinhoso e distante
dedico o tempo
um tempo de talhar a vida
de se confundir com a luz
dedico o silêncio
e a vontade possível
esse desprendimento
essa falta de carne
pode ser amor
um amor sem necessidade
que olha e se alegra
nosso destino são as palavras
essas que cobrem nossos corpos cansados
como mantas
essa talvez seja a melhor maneira
de amar você
cobrindo-te de palavras!

a poesia

descobri a poesia
a poesia é um peso nas mãos
é objeto pontiagudo e cortante
é algo que toca toda superfície do corpo
é uma coisa
uma dor física
uma agulha grossa
a poesia é buraco fundo
a poesia não é caminho para pés descalços
nem leito onde se pode morrer
a poesia que descobri é uma pedra na boca!

Talhar

Palavras me servem como me serve o ar
elas são uma sala, um divã e alguém que escuta meus gemidos
a palavra jogada no papel
[de]forma
Ora!
talhar a obra é como talhar a vida
que é pedra dura
e se a água agora talha
é porque verbos
[di]versos já talharam
pedra talhada por água
sugere pedra de sorte
água parece não machucar
como a ação do verbo
mas há outros verbos
que talham sem ferir
sem pesar
e esses são recompensa
do tempo

o fato e a pedra

tão pesado quanto o fato é a pedra que hei de colocar por cima
e precisa ser pedra pesada
e pedra pesada pressupõe pedra grande
e ouçam: pedra grande é obra do tempo
não pensem que é tempo de conversa boa com amigo
é na verdade o tempo que a água do café leva pra ferver
quando os olhos e a barriga rodeiam o fogão
e rodeiam várias águas não só aquela
mas não falei do fato
o fato é por excelência o fato
e o fato aguarda a pedra
a pedra que vai enfim soterrá-lo.